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SOALHÃES - MARCO DE CANAVESES


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Soalhães é uma freguesia Portuguesa, pertencente ao Município de Marco de Canaveses, Distrito do Porto. porque já foi sede de Concelho, possui algumas infraestruturas relacionadas com pergaminhos associadps, como a representação de um Pelourinho, ou mesmo da fabulosa Igreja Matriz, um monumento de estilo Românico, que no seu interior ostenta um valioso tesouro em talha dourada, os admiráveis painéis laterais trabalhados em madeira, ou mesmo na arte sacra presente. Um monumento único para admirar e contemplar.

HISTÓRIA:
Soalhães é uma Freguesia do Concelho de Marco de Canaveses com muitas tradições históricas, sendo também a maior Freguesia do concelho com cerca de 23,4 Km2.

Situada na margem direita do Rio Douro, estende-se desde a Serra da Aboboreira, que acompanha em grande extensão, até à ribeira do Juncal. Pela sua localização, seria fácil de prever um forte povoamento pré-histórico. Os dados arqueológicos confirmam-no. Entre os lugares de Quintela e Vinheiros, encontra-se o Castro de São Tiago, perto de duas elevações cónicas, uma das quais tem no topo uma pequena ermida daquela invocação, sendo um dos lugares a visitar e de onde se pode admirar uma paisagem magnífica e passar bons momentos de lazer.

No monte referido são ainda visíveis troços de três ordens de muralhas, formando o mesmo núcleo de anéis, e algumas habitações castrejas, das quais restam apenas várias pedras amontoadas. Do espólio reunido, regista-se um fragmento de asa de ânfora, pedaços de “Tégula” e um cossoiro.

Mas não fica por aqui o património arqueológico de Soalhães. Entre muitos dos vestígios que poderíamos analisar, nos lugares de Miras, Poço, Lavra, Eido, Pinhão (conforme estudos de João Belmiro da Silva), destacaremos a Gruta das Curiscadas, no lugar do mesmo nome, que foi alvo de diversas interpretações por parte da população local. Pensavam ser aquele sítio uma vala comum, dada a grande quantidade de ossadas ali encontradas, bem como outros achados pré-históricos, tais como duas facas de Sílex, dois machados de deorite, e pontas de flechas lascadas e polidas, (estes objectos encontram-se guardados no Museu Martins Sarmento em Guimarães) o que demonstra que povos da época terciária e quaternária já habitavam esta região, o que atesta claramente a antiguidade de Soalhães. É um espaço existente sob um penedo arredondado, o «Penedo de Cuba», com cerca de cinco metros quadrados. Uma gruta natural, ou fenda aproveitada para tumulação desde os tempos pré históricos, classificado como património cultural por decreto n.º 147 de 05/01/1951.

Se a arqueologia comprova o povoamento castrejo de Soalhães, a toponímia atesta a passagem dos godos por aqui. Assim acontece com o próprio nome da freguesia. Segundo Joseph Piel, Soalhães é significativo do antropónimo Sunila ou Soela, nome geográfico abundantemente documentado na Idade Média. O mesmo sucede com Telhe, cujo genitivo, Telli, é um nome pessoal de origem germânica. Ou Mirás, patronímico de um antropónimo da mesma origem.

Soalhães encontra-se documentada a partir de 857, como núcleo da futura freguesia: «Villa de Suylanes». Do ano de 875, é o primeiro diploma relativo ao seu Mosteiro, ao que parece – embora haja dúvidas – fundado por Sancho Ortiz.

Naquele, o tal «humilde et servo Dei Santom presbítero» doa à «baselice sancti Martini episcopi que est fundada in villa de Suylanes», casais, objectos e alfaias de culto.

Em meados do século XI, encontramos novas referências a um Mosteiro que estava então a ser disputado por elementos da estirpe dos gascos, sem grande sucesso. Foi D. Sancho II, antes de 1245, que o extinguiu e o converteu em simples Igreja Paroquial. As próprias Inquirições de 1258 referem-na apenas como tal.

Morgado de Soalhães, por sua vez, iria ser instituído em Maio de 1304 por D. João Martins, Bispo de Lisboa. Filho de Gonçalo Gonçalves de Portocarreiro, Arcebispo de Braga, nomeou para administrador daquele o seu filho Vasco Anes. Um morgado importantíssimo em rendas e honras, pois tinha um património que englobava Lisboa, Porto, Coimbra e Viseu.

Por carta de Julho de 1373, o Rei D. Fernando doou a Gonçalo Mendes de Vasconcelos a terra de Soalhães, concedendo-lhe sobre ela toda a jurisdição. Foi ele, assim o podemos considerar, o primeiro senhor de Soalhães.

Julgado ou Concelho de Soalhães já existia no século XIII. Abrangia as seguintes povoações: Folhada, Fornos, Mesquinhata, Soalhães, Tabuado e Várzea de Ovelha (Aliviada). O concelho recebeu foral de D. Manuel I, em Lisboa, em 15 de Julho de 1514. Iria ser extinto em 30 de Novembro de 1852 por motivos administrativos, ligados à força que então deteve o actual Concelho de Marco de Canaveses.

Símbolo do extinto Concelho é o pelourinho, monumento nacional por decreto n.º 38147 de 05/01/1951 pelo valor histórico e artístico que ostenta. Igual importância, ou talvez mais, tem a Igreja Matriz, originalmente românica, monumento nacional por decreto n.º 129 de 29/09/1977, despacho da SEC de 26/03/1990. Apesar dos restauros que sofreu, ainda apresenta algumas características desse período, como a porta principal, com duas ordens de colunas de cada lado e três arquivoltas quebradas. Os capitéis estão decorados com elementos vegetais e são protogóticos.

Ao lado da fachada, ergue-se uma robusta torre, medieval mas muito desfigurada. No interior do templo destacam-se os 91 caixotões do tecto e os azulejos setecentistas das paredes das naves. O azul dos azulejos e o dourado da talha tornam este monumento uma obra riquíssima, não pela sua grandiosidade, mas pelo cuidado dos pormenores. “O tecto da nave é todo coberto de painéis pintados separados por belas molduras de talha, o mesmo acontecendo nas paredes da mesma quadra. Tudo o resto é azulejo azul, que contorna as molduras, as portas de todos os acidentes arquitectónicos”. (Azularia em Portugal no século XVIII).

Do lado direito de quem entra, ocupando quase totalmente a parede, emerge um painel alusivo a Moisés e à rocha da qual brotou água para manter a sede ao povo no deserto: «E o Senhor disse a Moisés: “Passa diante do povo e toma contigo alguns anciãos de Israel, e toma também em tua mão a tua vara, com que golpeaste o Nilo, e vai. Eis que eu estarei diante de ti, lá sobre a rocha de Horeb, golpearás a rocha e dela jorrará a água para que o povo beba”. E Moisés fez assim na presença dos anciãos de Israel. E pôs àquele lugar o nome Massa e Meriba» (Ex 17, 5-7 A). O painel destaca-se pela grandiosidade da sua área e pelo gosto estético das suas imagens. Apresenta 20x48 azulejos, somente interrompidos por um púlpito entalhado e por dois nichos: um com imagem representando as santas mães, outro representando Nossa Senhora do Rosário, colocadas, ambas em pedestais ornamentados por azulejo de figuras avulsas (restauro efectuado em 1992).

Do lado esquerdo, ocupando quase toda a parede, três painéis a evocarem passagens bíblicas. No primeiro, a de Moisés e a serpente de bronze no deserto: «O Senhor disse a Moisés: “Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre uma haste e todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado”» (Num 21, 8-9). No segundo, Jesus e a samaritana sentados junto do poço de Jacob: «Existia ali um poço de Jacob... Veio uma mulher samaritana, para tirar água. Diz-lhe Jesus: “Dá-me de beber”» (Jo 4, 6-8). No terceiro, Jesus fala aos seus discípulos.

As molduras são de cabeceiras lisas, separadas por emolduramentos de pilastras e centradas por grinaldas, seguras por medalhões. (Azulejaria em Portugal no século XVIII).

Ainda deste lado, um outro painel representa Melquisedec: «E Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho, pois era sacerdote do Deus Altíssimo e abençoou Abraão dizendo: “Bendito seja Abraão pelo Deus Altíssimo, Senhor do Céu e da terra. Bendito seja Deus Altíssimo que pôs os teus inimigos em tuas mãos.” E Abraão deu-lhe o dízimo de tudo.» (Gen 14, 18-19).

Na capela lateral, denominada Capela das Almas, do lado esquerdo, com 22 azulejos de alto, representa-se S. Miguel a salvar as almas do Purgatório. A moldura apresenta pilastras e medalhões a que os anjos servem de suporte. No lado direito está representado S. Miguel a lutar com o diabo, enquanto as almas sobem ao céu.

Pelourinho de Soalhães
Na sacristia, por seu turno, existe um conjunto de azulejos de figura avulsa, com cantos de estrelas e motivos diversos: barcos, flores, aves, figuras humanas, entre outras representações. E ladeando um pequeno retábulo de altar, encontram-se dois anjos azuis talvez provenientes de outro lado. A partir da análise destes azulejos coloca-se a hipótese do seu autor Policarpo de Oliveira Bernardes, discípulo de Francisco Ferreira de Araújo e filho de António de Oliveira Bernardes, mestres da escola de Coimbra. A sua obra é essencialmente constituída por painéis figurativos de enquadramentos rectilíneos simples, de grande qualidade quanto à composição e configuração das suas figuras.

É de facto, um monumento de imprescindível visita.

Actualmente, Soalhães é a Segunda Freguesia mais populosa do Concelho. Um presente que bem honra o seu passado.

Soalhães, tem como limites a nordeste e leste o concelho de Baião, a sul Paredes de Viadores, a noroeste Tabuado, a poente Manhuncelos, Freixo e Rio de Galinhas.

Os pontos mais altos desta freguesia são a Aboboreira com 793 metros de altitude, a Abogalheira com 962 metros junto ao marco geodésico, a Rua de Eiró com 436 metros.

Esta Freguesia detém bons e bonitos edifícios, agora grandemente modificados. Um dos solares mais importantes desta região, situa-se nesta freguesia «a Casa de Quintã». Construído segundo estilo de D. João V, foi acabado no ano de 1742. É o primeiro edifício do concelho e um dos primeiros de todo o distrito pela sua grandeza. Arquitectura e magnificência tanto no exterior como no interior. Está edificado em quadrado com um artístico chafariz no claustro interno.

Soalhães tem como patrono “ S. Martinho”, Bispo de Tours.

Tem brasão próprio composto por escudo de verde, uma mitra episcopal de prata, forrada e guarnecida de vermelho e dois ramos de três espigas de ouro, folhadas do mesmo, tudo em roquete. O próprio conceito de antiga Vila, é mencionado na coroa mural de quatro torres que por esta razão é atribuída à Freguesia. Listel branco com a legenda a negro ”SOALHÃES”.
Fonte: www.jf-soalhaes.pt

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