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ALPALHÃO - ALENTEJO - NIZA - PORTALEGRE


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Alpalhão é uma típica Vila Portuguesa Alentejana, que já foi Município, (ver história) agora pertencente ao Concelho de Niza, Distrito de Portalegre. Uma pequena Vila que já teve edificado um Castelo no centro da Vila, e que agora está reduzido a umas poucas pedras, da qual penso que ainda resiste uma torre sineira que pertenceria ao interior da muralha. Ainda se pode ver a sinalética da rua do Castelo, com um portão que fecha uma rua estreita que vai de encontro à dita torre da igreja. O antigo edifício da Câmara Municipal ainda exibe as insígnias, mas com a indicação de "Antiga".




             HISTÓRIA:
Não se sabe bem quem foram os fundadores da vila. Fraxinum ou Fraginum, que se julga ter sido a origem da actual vila de Alpalhão, é uma povoação antiquíssima, já existente no tempo dos Romanos. Esta povoação situar-se-ia no chamado Monte dos Sete, sensivelmente 2 km a norte da actual vila. Não se sabe, igualmente, qual a razão da mudança de local.
A romanização da Península Ibérica contribuiu para que Fraxinum evoluísse e se tornasse numa estação importante. Uma das três estradas que ligava Lisboa a Mérida (então capital da Lusitânia), passava por Fraxinum, segundo o itinerário de Antonino. A queda do Império Romano e a invasão da Península pelos Mouros terá alterado a sua etimologia para Alpalhandro.


O prefixo «Al» é uma reminiscência do domínio árabe, existente no nome de muitas povoações portuguesas, especialmente a sul do Tejo.

D. Afonso Henriques, após a independência do condado Portucalense em 1143, inicia a reconquista do Alentejo e Algarve e, em 1160, concede o 1º Foral a Alpalhão que, por ser uma região pouco povoada e fronteiriça, concedia facilidades e garantia de defesa aos indivíduos que nela se fixassem.

Em 1198 já se nota nova evolução etimológica de Alpalhandro para Alpalantri visivel no já existente Mosteiro «Monasterium Alpalantri». Esta evolução talvez surja da necessidade de eliminar lentamente os vestígios da civilização árabe. Esse Mosteiro era uma espécie de quartel ou posto militar pois era necessário consolidar as posições militares sobretudo por duas razões: 1 - era região fronteiriça (a sul dominavam os árabes, a norte os cristãos); 2 - esta povoação localizava-se num ponto estratégico porque passava ali a velha estrada romana que ligava Lisboa a Mérida funcionando como guarda avançada da acção militar e de atalaia.

Em 1215 surge já o termo Alpalham numa concordata celebrada entre o Bispo da Guarda e os Comendadores dos Templários.
Em 1286, o rei D. Afonso III, o Bolhonês, confirma o Foral concedido por D. Afonso Henriques.
Em 1300, no reinado de D. Dinis foi erguido o Castelo de Alpalhão (para mais informações sobre o Castelo consultar o menu Locais e o sub-menu Monumentos) provavelmente no local onde existira o Mosteiro de Alpalantri aproveitando assim algumas instalações existentes.

A 13 de Outubro de 1512, D. Manuel I concede novo Foral a Alpalham.
Em 1762 era Vila na Correição de Portalegre.
Em 1821 era Concelho na divisão eleitoral e Comarca de Portalegre, com uma só freguesia (Sr.ª da Graça).
Em 1835 era Concelho no Julgado de Nisa, Beira-Baixa.
Em 1842 era Concelho no Distrito Administrativo de Portalegre, Alentejo, com três freguesias: Alpalhão, Gáfete e Tolosa.


O Concelho de Alpalhão é extinto em 31 de Dezembro de 1853, por Decreto de 3 de Agosto de 1853 e é publicado no Diário do Governo n.º 244 de 17/10/1853, passando para o Concelho de Nisa.
"Ministério dos Negócios do Reino (Decreto de 3-8-1853)
Atendendo ao que me foi representado acerca do Concelho de Alpalhão, o qual por falta de elementos necessários para a sua regular administração, e por outras circunstâncias igualmente atendíveis, não poderia continuar a existir como Concelho separado sem incómodo dos seus próprios moradores, e prejuízo do serviço público; em vista da Consulta da Junta Geral do Distrito de Portalegre de 18 de Março do corrente ano, e conformando-Me com a informação proposta do respectivo Governador Civil em Concelho de Distrito:

Usando da faculdade concedida ao Governo pela Carta de Lei de vinte e nove de Maio de mil oitocentos quarenta e três, decretar o seguinte:

Artigo 1º - É suprimido o Concelho de Alpalhão, no Distrito Administrativo de Portalegre.

Artigo 2º - Das três freguesias, que constituem o referido Concelho, são incorporadas, no Concelho de Nisa, a de Nossa Senhora da Graça de Alpalhão e a de Nossa Senhora da Encarnação de Tolosa; e no Concelho de Crato, a de S. João Baptista de Gáfete.



O Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino assim o

tenha entendido, e faça executar.
Paço de Mafra em 3 de Agosto de 1853 = Rainha
Rodrigo da Fonseca Magalhães"
Memória transcrita do Diário do Governo

Qualquer que fosse a causa da extinção do Concelho, a população de Alpalhão nunca aceitou de bom grado a sua anexação no concelho de Nisa. O inconformismo e o descontentamento da população contribui para que decorridos 42 anos (Decreto de 26 de Setembro de 1895), as freguesias de Alpalhão e Tolosa, fossem integradas no concelho de Crato.
Anexação da Freguesia ao Concelho do Crato
"Direcção Geral da Administração Política e Civil
Artigo 2º - Ao Concelho de Campo Maior é anexada a freguesia de Degolados, que actualmente pertence ao Concelho de Arronches, e ao Concelho do Crato são anexadas as freguesias de Alpalhão e Tolosa, do Concelho de Nisa.

Paço, em 26 de Setembro de 1895"

Memória transcrita do Diário do Governo

Três anos mais tarde, em 1898, por Decreto de 18 de Janeiro, ambas as freguesias são reintegradas no concelho de Nisa.
Regresso de Alpalhão ao Concelho de Nisa
"Ao Concelho de Nisa ficam pertencendo as freguesias de Alpalhão e Tolosa.
Paço em 13 de Janeiro de 1898
José Luciano de Castro"
Diário do Governo n.º 11 de 15 de Janeiro de 1898



Em resumo:

Alpalhão foi Concelho desde D. Afonso Henriques, em 1160, até 1853. Deixou de ser Concelho no reinado de D. Maria II, em 3-8-1853 passando a fazer parte do Concelho de Nisa até 26-9-1895. Fez parte do Concelho do Crato desde essa data até 13-1-1898 quando voltou a ser integrada no Concelho de Nisa.

Fontes consultadas:
Canatário, Jerónimo M., AL PALH'AM - História e Património
Subtil, Carlos Emídio Lopes, Memórias de Alpalhão

Fonte: www.alpalhaoonline.no.sapo.pt

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