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VARZEA DA SERRA - MONTE DE SANTA HELENA - TAROUCA


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O Monte de Santa Helena, fica situado na Freguesia de Várzea da Serra, pertencente ao Município de Tarouca, Distrito de Viseu. Subindo por estrada estreita (autocaravana) alcançamos o cimo da também denominada Serra de Santa Helena, para desfrutar de uma vista bastante abrangente de uma vastíssima área do Território Tarouquense. No cimo do monte, que tem área de lazer, existe uma Capela, e uma Lapa que supostamente serviu de habitação a uma única habitante daquela serra, de nome Carolina, uma espécie de ermita, que viveu e morreu naquele local belo mas isolado, local onde o seu corpo foi sepultado.
Descendo a serra, e explorando um pouco a aldeia de Várzea da Serra, que já foi Município, destacamos a sua granítica Igreja Matriz, o Pelourinho, as Capelas, a fonte granítica de 2 bicas, etc.




          HISTÓRIA

Se a vontade férrea dos homens e mulheres de outros tempos nos legaram um vastíssimo património histórico-cultural e arquitectónico, também a natureza foi pródiga em dotar Tarouca de um património natural ímpar.
O Concelho de Tarouca, devido ao seu relevo montanhoso, possui inúmeros recantos de onde é possível desfrutar das belíssimas paisagens que compõem o cenário da região.
No monte de Santa Helena, local de passagem obrigatória, o visitante poderá usufruir de uma visão surpreendente sobre todo o vale e serranias. Aqui, num ambiente bucólico, os visitantes encontram um parque de merendas onde vale a pena gozar alguns momentos de repouso. É também possível a prática de parapente, escalada e outros desportos radicais.
Situada na ponta sudoeste do concelho, para lá do alto da serra de Santa Helena, numa extensa várzea, dista cerca de dez quilómetros da vila de Tarouca.


Considerada por antonomásia a povoação serrana do concelho, está rodeada de cumes que atingem mais de mil metros de altitude, que a abrigam das investidas dos ventos. Elevado planalto, cai, a nordeste e noroeste, para o rio Barosa e seu afluente, antigamente denominado Barosela. É no território da freguesia de Várzea da Serra que nascem estes dois rios: descem, em direcção oposta — norte e sul —, cercando a serra de Santa Helena, apertam-na nos seus flancos, como duas grandes antenas, e correm, fertilizando campos, movendo moinhos, em quase todas as freguesias do concelho, até se fundirem um no outro, perto de Mondim, e assim seguirem até desaguar no rio Douro.



Descrevendo a freguesia da Várzea da Serra, A. de Almeida Fernandes, na sua obra “As Dez Freguesias do Concelho de Tarouca”, refere que “a sua morfologia é realmente a de uma “várzea” orientada de poente para nascente (com a povoação no extremo ocidental), a coberto das fracas elevações do monoclinal que do vale de Tarouca figura de serra e por isso serra se chama — a Serra de Santa Helena. Essa extensão é ravinada por numerosas linhas de água, sendo as maiores os cursos iniciais dos dois rios principais do concelho de Tarouca, os quais aqui nascem”.



A fundação de Várzea da Serra deve datar dos princípios da Nacionalidade. Talvez os seus primeiros habitantes fossem colonos do Minho, que aqui se vieram estabelecer, como a outros lugares do concelho. E as casas mais antigas bem se assemelham, como em nenhuma outra freguesia, às construções minhotas, como se um fragmento dos povoados do Norte fosse transplantado para aqui.
No princípio do século XIII já era vila. Foi seu donatário o conde de Barcelos, D. Pedro, filho bastardo de D. Dinis.




Foi uma das dez terras rurais de Portugal privilegiadas com o foro de beetria (anexa à de Britiande), que, na alta Idade Média, lhe conferia o direito de eleger e tomar livremente os regedores que mais lhe conviessem para a sua defesa e bem-estar, podendo ainda destituí-los quando faltassem aos deveres que lhes incumbiam como tal ou quando traíssem a Pátria.
As beetrias são uma herança de Castela, como os municípios são uma herança de Roma. As beetrias portuguesas, porém, eram de mais restritos privilégios. 




Enquanto que em Espanha os povos que gozavam deste privilégio escolhiam e destituiam o senhor ad nutum (sem condicionalismos), em Portugal deviam escolhê-lo da corte e ficava esta escolha dependente da aprovação real. E só os destituiam nos casos anteriormente apontados. Foi por isso que estas instituições, muito mais democráticas do que as concelhias, tiveram uma existência mais tranquila do que no reino vizinho.


Ainda assim, no século XVI, Várzea da Serra e algumas das outras vilas com os mesmos privilégios (Amarante, Mesão Frio, Britiande, Vila Marim, Cidadelha, Canaveses, Paços de Gaiolo, Louredo, Galegos, Santo Isidro e Campo Benfeito) sustentaram um célebre pleito que correu perante o juízo da Coroa. Este pleito não chegou a ter despacho final, porque D. João III ordenou antes o sequestro de Várzea da Serra e a incorporou na Coroa. Assim terminava ingloriamente o bravo gesto desta vila, lutando, contra o próprio soberano, em defesa do seu privilégio medieval.

Anos volvidos, no século XVIII, teve esta povoação de sustentar nova luta e outra vez contra senhores poderosos: a questão era agora com os limítrofes — Tarouca, Mezio (concelho de Castro Daire), Lalim e Lazarim (Lamego) e o couto da Ermida.
Extinta a sua beetria, sem senhor a defender esta vila, levantaram-se em volta ambições a cobiçar-lhe os montados, que são ainda hoje factor importante da sua riqueza. Várzea da Serra apareceu na arena, mas agora só, contra inimigos poderosos, e venceu.


A 10 de Maio de 1678 veio à freguesia o corregedor de Lamego com a sua numerosa alçada, estudou a questão e, por fim, resolveu-a com honra para esta vila, empossando-a nos seus montados, e assinalou-lhes limites como providência a evitar futuras extorsões.
Várzea da Serra foi concelho, extinto no ano de 1834. Desde 1898 que faz parte do concelho de Tarouca.
Do património monumental da actual freguesia constam o pelourinho e a casa da cadeia, lembrando a existência do antigo concelho; as ruínas da antiga igreja matriz; a nova igreja paroquial; antigas minas de estanho, onde actualmente se extrai scheelite; as interessantes casas de granito com beirais em granitos e, algumas, cobertas de colmo.


Fonte: jf-varzeadaserra.pt



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