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SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DA APARECIDA - LOUSADA


Apontamento AuToCaRaVaNiStA:

O Santuário de Nossa Senhora da Aparecida fica situado na Freguesia de Torno, no Concelho de Lousada, Distrito do Porto, Portugal.
A antiga devoção era a Nª Srª da Conceição padroeira de Portugal, mas depois de se ter encontrado uma imagem num local onde um Ermitão vivia isolado, foi então que se propagou a devoção ao culto da Senhora da Aparecida. De referenciar que esta Nª Srª é muito pequena em relação a todos as outras imagens, contudo o andor que a transporta por altura das festas, é o maior do País.



               HISTÓRIA:

“Está em hum cabeço, breve braço da serra de Santa Marinha, donde se descobrem alguns montes mas povoação nenhuma.” É assim que o vigário Félix Borges, pároco da freguesia em 1758, localiza a Capela de N. S. da Conceição. Em resposta ao inquérito enviado a todas as paróquias e que veio a resultar no valiosíssimo documento para a nossa História que são as Memórias Paroquiais de 1758, o meticuloso padre informa ainda que esta capela tem “hum só altar” e “pertence aos moradores da freguezia que a andão reedificando a fundamentis, por se arruinar a antigua.”



A grande capela que hoje se pode admirar é o resultado de várias intervenções ao longo dos últimos séculos, mas a remodelação que lhe conferiu o aspecto actual poderá situar-se pelos finais da segunda metade do século XVIII. A devoção à N. S. da Conceição teve grande difusão em Portugal na segunda metade do século XVII. O rei Dom João IV, logo após a Restauração de Independência, declarou a santa Padroeira e Soberana de Portugal. A capela primitiva deverá, pois, remontar ainda ao século XVII.
Mais tarde, já no século XIX, é que se desenvolveu a enorme devoção à N. S. Aparecida que ainda hoje se traduz anualmente numa das mais autênticas e concorridas romarias do Norte. O culto a N. S. Aparecida teve origem no aparecimento milagroso duma imagem de Nossa Senhora sob uma lapa onde, em tempos, se havia abrigado um ermitão. Ao surgimento desta tradição não será, concerteza, alheia a proximidade e influência duma família de “brasileiros”. A devoção à N. S. Aparecida no Brasil remonta ao século XVIII. Muitos portugueses imigrados nesse país quando regressam à terra natal, para além da fortuna, traziam a veneração à santa.


José Augusto Vieira, famoso autor do Minho Pittoresco, editado em 1887, passou por Aparecida e registou uma conversa que teve com um tendeiro “republicano quasi, em teoria, mas votando com o visconde (…) por coisas… que elle lá sabe”. O tendeiro afirmava que durante a romaria o santuário rendia 400 mil reis, mas que só na festa se gastavam 300 mil. Sugeriu ainda que o autor deveria ficar para a procissão para ver “o que era festa e o que eram andores, como não havia em outra parte.
O conjunto formado pelas capelas da Senhora da Conceição e da Senhora Aparecida, ambas implantadas no sobranceiro monte, precedidas de imponente escadaria e rodeadas de frondoso jardim, obteve, recentemente, a designação e estatuto de Santuário de Nossa Senhora Aparecida, conferido pela diocese.


O Santuário é não só um centro devocional de grande importância, como também se constitui como um verdadeiro pólo cultural e patrimonial, para além de ser o miradouro, por excelência, do fecundo e buliçoso Vale do Sousa. O templo é o centro da grande romaria à Senhora Aparecida que, todos os anos, desde a segunda década do século XIX, traz milhares de pessoas a esta terra.
A matriz de Torno é um edifício de construção muito cuidada segundo os melhores padrões da arquitectura do seu tempo, de princípios de Setecentos.


Na sua fachada, o óculo e uma cruz dos Templários são, certamente, reaproveitamentos de uma construção anterior, possivelmente, de raiz medieval. No seu interior, encontramos, sob um arco cego, um espaço tumular constituído por um sarcófago em pedra.
E sobre este as pedras de armas pertencentes à Casa de Juste. Um outro elemento a ressalvar é a extraordinária imagem da Nossa Senhora do Rosário, de meados do século XVII, que enriquece o seu valor e as suas significações históricas.

Fonte: www.cm-lousada.pt


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