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VILA VIÇOSA - ALENTEJO - ÉVORA




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Vila Viçosa é uma Vila Alentejana Portuguesa pertencente ao Distrito de Évora. Vila Viçosa apelidada de Vila Museu, tal é a quantidade de palácios igrejas, mosteiros, etc, o espólio é vasto e variado. Destaque para o Palácio Ducal, exemplar único de arquitectura maneirista, impressiona qualquer um pela imponência da sua construção, pelos materiais usados, como o mármore rosado etc. O Castelo tanbém é destaque desta Bonita Vila. Esta é sem dúvida uma Vila Portuguesa com selo de excelência, e obrigatória a sua visita. Vai aqui recomendadíssima pelo Portal AuToCaRaVaNiStA.



              HISTÓRIA:
Vila Viçosa encontra-se numa planície ao sopé das vertentes orientais da pequena serra de Borba, onde se formam dois vales, pelos quais correm, na estação das chuvas, vários ribeirinhos, em direcção ao levante, indo depois unir-se e desaguar na ribeira de Borba. Foi ao vale do Sul que os portugueses chamaram Val Viçoso no tempo das conquistas aos mouros no Alentejo, e dali veio à povoação o nome de Vila Viçosa, quando recebeu o foral de concelho perfeito. Apesar da sua estrutura geológica muito variada, o Alentejo distingue-se por uma simplicidade fisionómica que se destaca do território nacional como um quadro geográfico inconfundível. A planície e a periplanície são as suas feições dominantes.

 Vila Viçosa encontra-se a 38 graus e 51 minutos de latitude Norte e a 9 graus de longitude, pelo meridiano dos Açores. Fazendo fronteira com os limites do seu concelho, a Noroeste fica-lhe Borba a 4 Km de distância, e Estremoz a 17 km. A Nordeste está Vila Boim a 20 km, e Elvas a 27 km. Tem a Este Juromenha e o rio Guadiana. A Sul está o Alandroal, distanciado 7,5 km. A Sudoeste fica-lhe Terena a 16 km. O Redondo encontra-se a Oeste, a 20 km. Vila Viçosa encontra-se numa planície ao sopé das vertentes orientais da pequena serra de Borba, onde se formam dois vales, pelos quais correm, na estação das chuvas, vários ribeirinhos, em direcção ao levante, indo depois unir-se e desaguar na ribeira de Borba. Foi ao vale do Sul que os portugueses chamaram Val Viçoso no tempo das conquistas aos mouros no Alentejo, e dali veio à povoação o nome de Vila Viçosa, quando recebeu o foral de concelho perfeito.

 Vila Viçosa é também chamada Callípole. E os seus moradores dizem-se Calipolenses. Este nome foi-lhe posto por André de Resende nas suas “Antiguidades da Lusitânia”, escritas em latim, e, mais tarde, vulgarizado. O autor não encontrou melhor forma de verter para a língua latina o termo Vila Viçosa do que adoptando o nome já dado em grego a três povoações antigas, que tem significado semelhante ao termo português. No entanto, o vocábulo Callípole não se vulgarizou na sua utilização antes de 1640. A divulgação do termo deve-se ao Padre Bento Pereira que, ao contactar com a obra de André de Resende, associou o nome a Vila Viçosa, na sua “Prosódia Latina”, publicada em 1634, obra de grande circulação no meio estudantil. A vulgarização do termo ocorreu no século XVIII. O local de implantação da actual Vila Viçosa terá sido ocupado por diversos povos até à sua romanização. É do período romano que datam quase integralmente os vestígios arqueológicos existentes em Vila Viçosa desses tempos recuados. O centro da antiga aldeia romana seria ao redor do Poço do Alandroal.
Esse local terá sido o centro do aglomerado populacional existente até ao século XIII. Após o domínio romano, sobreveio, por volta de 715, a presença árabe, até 1217. Nesse ano, a aldeia sarracena é tomada aos mouros pelos cavaleiros de Avis, durante o reinado de D. Sancho II. Até 1267, é a Ordem de Avis quem administra estas terras, tendo o processo de repovoamento ficado comprometido por alguns anos, devido à inexistência de uma edificação que protegesse quem para aqui quisesse vir habitar. Até então, o local continuou a ser ocupado maioritariamente por mouros, agora sob a autoridade do Rei de Portugal. No reinado de D. Afonso III, estende-se a linha de reconquista até ao Algarve, obtendo-se a posse definitiva do Alto Alentejo, e empenha-se este monarca na repovoação das terras incultas, desertas ou quase, dando-lhes forais a fim de atrair para elas colonos e consolidar as linhas de defesa do território.

Em 1250 outorga foral a Estremoz, ficando a fazer parte do termo do seu concelho a aldeia dos bugios, que significa da mourama, dos mouros, que existia no local onde é agora Vila Viçosa, mais precisamente, localizada entre o que é hoje o Convento da Esperança e as ruínas do Convento de São Paulo. No entanto, devido à grande extensão territorial do concelho de Estremoz, este monarca achou conveniente talhar-se novo concelho no seu mesmo alfoz, com maiores vantagens e privilégios. Em 1267 começou a divisão de terras da futura Vila Viçosa. Nesse ano, D. Afonso III inicia, através dos sesmeiros, a divisão e distribuição de terras para construção de novas moradias, no ponto mais elevado do Vale Viçoso, denunciando a intenção de fortificação e defesa do local. A fundação do Mosteiro dos Agostinhos dá o necessário alento ao povoamento destas terras. É em 1270 que o rei D. Afonso III concede a carta de foral a Vila Viçosa que, a partir de então, passa a constituir concelho. Este documento segue os moldes do de Monsaraz, que é do tipo de Santarém, como o de Estremoz. Os primeiros povoadores de Vila Viçosa já ali se encontravam estabelecidos. A atribuição da carta de foral ao pequeno aglomerado populacional existente reconhece a sua importância. Depois, aí afluem moradores provenientes dos concelhos limítrofes anteriormente criados, atraídos pelo vasto conjunto de isenções e privilégios de que podiam desfrutar em Vila Viçosa, bem como pela fertilidade dos seus solos. No reinado de D. Dinis Vila Viçosa era ainda um pequeno aglomerado populacional, constituindo mais uma povoação característica do Portugal medievo.
O burgo fortificado do castelo que entretanto surge traz a Vila Viçosa a segurança defensiva necessária para o seu desenvolvimento urbano e permite o inicio da evolução de uma experiência de ocupação do espaço singular. A partir do século XIV, dentro do seu Castelo dionisino, foi-se adensando a população calipolense que, com o andar dos tempos, transpôs as muralhas e o baluarte da vila. As edificações medievais estão muito modificadas relativamente ao que foram originariamente, por isso, só podemos supor que seriam semelhantes às construções mais antigas que subsistem. A sua tipologia é a de casas térreas com poucas aberturas. No que se refere ao seu processo construtivo, utilizar-se-ia a taipa, técnica de origem árabe. A nova área urbana de Vila Viçosa, que começou a erguer-se a partir de 1270, teria arruamentos perpendiculares atravessados por vias paralelas à estrada principal de ligação regional, formando uma malha organizada, constituída por arruamentos estreitos e rectilíneos. A tipologia dos quarteirões é marcada por lotes de pequenas dimensões, estreitos e com poucas áreas abertas.

Quanto à edificação, actualmente pode observar-se que as construções têm maioritariamente 2 ou 3 pisos, com aberturas regulares, feitas com recurso a alvenaria de tijolo. Das construções originais pouco ou nada resta. De salientar ainda que esta parte do aglomerado urbano sofreu transformações várias decorrentes de obras de fortificação militar realizadas nos séculos XVI e XVII. A carta de foral de Vila Viçosa é, em 1512, reformulada por D. Manuel I, em resposta aos novos tempos e às novas necessidades, em termos de reorganização administrativa e de uma melhor estruturação da vida económica, que já muito se tinha desenvolvido desde o século XIII. A Vila Viçosa do século XVI é já um aglomerado populacional desenvolvido e em forte crescimento económico e demográfico. Vila Viçosa passou a pertença da Casa de Bragança em 1461. Por razões históricas pode-se considerá-la, então, Vila de Corte e, portanto, a que melhor reflectiu as estruturas do poder e foi alvo de maiores cuidados urbanísticos. Em Vila Viçosa estabeleceu-se o centro dourado do poder dos Duques de Bragança. Durante os séculos XVI e XVII, brilhou a Vila Viçosa Ducal em todo o seu apogeu, de que ainda hoje são os seus monumentos e riqueza patrimonial excelso testemunho. O estabelecimento da corte dos duques trouxe consequências de grande vulto ao desenvolvimento da vila, pois atraiu para ela, ao longo de dois séculos, um número elevado de funcionários da casa ducal, com suas famílias, e um importante afluxo de rendimentos provenientes do seu vastíssimo património espalhado por todo o país. Isso deu origem a um desenvolvimento económico e a características sócio-culturais sem paralelo noutras terras de dimensão semelhante. Permitiu também a construção de conventos e de edifícios nobres que deram a Vila Viçosa o seu aspecto inconfundível.

É a partir do século XVI, mais concretamente do ano de 1502, com o inicio da construção do Paço Ducal, e a subsequente mudança de residência do Duque D. Jaime para lá vindo do Castelo, que se desenvolve uma importante fase construtiva, ao gosto renascentista. A instalação da Casa de Bragança no Paço do Reguengo, actual Paço Ducal, implicou igualmente a saída dos nobres da alcáçova do Castelo, que fixaram a sua residência perto do Paço. Este facto influenciou a formação de quarteirões de grandes dimensões, ocupados pelas casas dos nobres e respectivos jardins. É clara a influência da construção do Paço Ducal na expansão da vila. Por outro lado, o inicio da construção da Fortaleza Artilheira, em 1520 no ducado de D. Jaime I, originou a demolição de várias casas e a destruição do castelo original, além de grande parte da muralha primitiva (medieval). No conjunto, esta vila mantém ainda hoje características estruturais e arquitectónicas que a definem como um dos exemplos mais significativos do urbanismo português, tendo em consideração o tecido unitário da vila visto como um todo. A importância da arquitectura monumental em Vila Viçosa é indiscutível, visto que foi, em grande medida, a condicionadora do crescimento e ordenamento do património construído. Cada monumento tende, de facto, a constituir-se como atractivo de um sistema patrimonial mais vasto, no qual se inclui não apenas a envolvente imediata (urbana, rural), mas toda a rede de conexões relativas à vida material e simbólica com eles relacionada: a paisagem humanizada, o património “de proximidade” (estruturas não monumentais ou não classificadas, identificadoras do território, como pequenos solares, habitações, cruzeiros, etc.) e o património difuso (cercado, muros, fontes, vestígios, etc.).

Desde cedo Vila Viçosa revela um crescimento no qual se notam fortes preocupações urbanísticas, cujas directrizes se inserem numa verdadeira lógica de cidade, cuja génese se vislumbra na idealização conceptualizada pelo pensamento humanista dos alvores do período renascentista. D. Teodósio I, D. João I e D. Teodósio II dedicaram-se profundamente ao Humanismo. Enquanto Duques de Bragança, com Corte estabelecida em Vila Viçosa, a sua acção mecenática, que da bela Callipole emanava transparente, no estabelecimento, amparo e desenvolvimento dos estudos humanísticos em Portugal foi notável e teve consequências marcantes na cultura portuguesa. Vila Viçosa transformou-se num importante centro de cultura, recebendo a Corte Literária dos Duques de Bragança várias personalidades de vulto que ficaram deslumbradas com o luxo e opulência do Palácio Ducal, confirmando-o como único em toda a Ibéria, só comparável ao Paço Real de Madrid. Para além disso, é de referir que, depois da Casa Real em Lisboa, o Palácio de Vila Viçosa era a primeira Casa do Reino, onde funcionava uma verdadeira corte do humanismo. Para além do mais, e além da cidade de Évora, o incremento do mercado artístico na província proporcionou que em outros núcleos regionais, como em Vila Viçosa, sob égide dos Duques de Bragança e da sua corte, se pudessem sediar mestres e oficinas de pintura, atraídos pelo ascenso de encomendas e pela revalorização da sua actividade. É o caso do pintor André Peres, um artista ligado à prestigiosa corte brigantina do Duque D. Teodósio II, e cuja obra vai sendo paulatinamente desvendada. De referir que a retablística que se pode observar nos templos de Vila Viçosa tem a particularidade de, na tipologia dos seus vários exemplos, apresentar um conjunto de notáveis retábulos dos mais variados tipos e características que, no seu conjunto, abarcam exemplarmente a produção retablística europeia, do Renascimento ao Rococó, em todas as suas cambiantes e tipologias. A análise da actividade artística da dinastia dos Braganças, no seu domínio de Vila Viçosa, pode proporcionar excelentes pistas de entendimento para a compreensão da arte portuguesa, em particular a do século XVII, e das suas singularidades.


 A partir do ano em que o Duque D. João cingiu a coroa, como D. João IV, Vila Viçosa entrou em hibernação e muitas das riquezas do seu palácio seguiram para Lisboa, para o Paço da Ribeira, de que o Palácio Ducal calipolense é semelhante. Possui Vila Viçosa várias igrejas e conventos, dos quais se destacam o Convento dos Agostinhos, a sua Igreja e o Panteão dos Duques, Panteão das Duquesas, o Convento das Chagas, a Igreja de Santa Cruz, o Convento da Esperança, a Igreja da Lapa e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição. O Palácio Ducal, exemplar único de arquitectura maneirista, impressiona. A sua fachada, em estilo clássico, linhas sóbrias e rigor geométrico é revestida com o melhor mármore da região, o rosa dourado, que lhe dá um tom de conto de fadas à sua sobriedade monumental. O seu interior é opulento. A praça que o acolhe assume contornos cenográficos. Fronteiro à Porta da Torre, mais ou menos a meio da actual Avenida dos Duques de Bragança que acompanha a cerca amuralhada desde os Agostinhos até à Igreja da Esperança, ergue-se um dos mais belos e elegantes pelourinhos que subsistem em Portugal, constituindo um verdadeiro ex-libris desta Vila-Museu. Museus tem também Vila Viçosa, muitos e variados, como o Museu de Arte Sacra, os museus da Fundação da Casa de Bragança, os museus de Arqueologia e da Caça e o Museu do Mármore. Vila Viçosa foi e é berço de gente ilustre, vila de casas nobres, igrejas e conventos, cruzeiros e fontes. Vila Viçosa foi pátria de algumas personalidades eminentes na história portuguesa, nas artes, na literatura, nas ciências e na guerra. Daqui é a alma de Florbela, onde a Literatura vive a sua mais alta inspiração poética, e de Túlio Espanca, cujo labor de estudioso ergueu com as mais belas pedras preciosas uma requintada obra de finas e deslumbrantes linhas onde se capta a verdadeira alma alentejana. Das suas casas nobres destacam-se: Palácio Sousa da Câmara e Paços do Concelho, na Praça da República; Palácio dos Matos Azambuja, na Praça Martim Afonso de Sousa, a lembrar as loggias italianas; a Casa dos Machados e a Casa dos Mascarenhas.

Na antiga Rua dos Fidalgos, que corre do Terreiro do Paço até à Praça Nova, actual Praça da República, situam-se os antigos Paços dos Sanches de Baena, e o dos Silveiros Meneses. No Terreiro do Paço ergue-se o Paço do Bispo. Fora do perímetro urbano merece referência especial a Casa de Peixinhos. A dois passos da vila ducal situa-se a famosa e histórica Tapada Real, prédio rústico integrado no antigo património da sereníssima Casa de Bragança. A Tapada de Vila Viçosa é um pedaço do Alentejo onde se vive, a par da tradição enraizada no solo e nos habitantes, toda a magia desta província. O Património Cultural e Natural de Vila Viçosa é uma herança extraordinária que resulta de circunstâncias históricas excepcionais relativas a momentos altos da História de Portugal. A Vila Viçosa encontram-se ligados acontecimentos de enorme relevância da história politica de Portugal e que em muito definiram o futuro da independência do reino de Portugal. Se Guimarães foi o berço de Portugal, Vila Viçosa foi pátria da Restauração da Independência portuguesa.

Fonte: www.cm-vilavicosa.pt

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