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IGREJA DO SALVADOR - TABUADO - MARCO DE CANAVESES

Apontamento AuToCaRaVaNiStA:


A igreja Românica do Salvador de Tabuado, fica situada na Freguesia de Tabuado, Concelho de Marco de Canaveses, Distrito do Porto, Portugal. Para além da estrutura medieval com arquitetura Românica, destaca-se no seu interior, as Pinturas, a Pia Batismal, alguns Pilares de ornamentação de estilo Românico, etc. Fazem parte ainda do património imóvel de Tabuado, a Torre de Nevões, onde pode visionar a sua reportagem aqui no Portefólio deste Portal, com a etiqueta de Marco de Canaveses.



               HISTÓRIA:


Das abundantes descrições de teor geográfico ou corográfico referentes a Tabuado ressaltam as apreciações à forte presença senhorial. Embora designado como couto, termo que lhe adviria da hipotética fundação de um mosteiro dedicado ao Salvador, os autores insistem em salientar a predominância de certas famílias à frente deste pequeno território situado nos limites da província do Minho.


De facto, como esclarece Crispiniano da Fonseca, a denominação
couto aplicada a Tabuado esbarrava com a força do poder senhorial que aqui dominava e parecia enquadrar-se melhor nos atributos jurídicos aplicados às honras, terminologia que, de resto, aparecia no século XVI.
Mas esta variabilidade de jurisdições, estatutos e poderes parece esconder o interesse de uns e outros neste pequeno território, cujo valor se pode explicar toponimicamente: Tabuado, de tábua, expressão corrente na Idade Média para designar a madeira destinada à construção.


Em 1258 refere-se Santa Maria de Tabulata, indicando-se o coutamento e
que a Igreja era de padroeiros da família de Gosendo Alvares. A circunstância de, naquele ano, se referir uma Heremita de Tabulato e uma Heremita de Sancta Maria de Tabulata e dado que o orago Salvador não aparece indicado nas inquirições afonsinas, parece evidenciar que não estava definida, ainda, a igreja matricial, dando assim expressão à tradição que indica a existência de uma comunidade monástica (talvez sedeada na Igreja do Salvador, que depois substituiu a de Santa Maria).
Tendo a honra passado a couto (pela mão do infante Afonso Henriques) e a pretensa Igreja monástica a abadia secular, os interesses quer dos eclesiásticos, quer dos leigos, não deixaram de se sentir até bastante tarde, como provam os contínuos pleitos e demandas acerca das jurisdições sobre o território e a igreja.


Esta foi taxada em 105 libras no ano de 1320, valor que pouco nos
diz acerca da importância do edifício e dos seus rendimentos no contexto regional.
A tradição refere, portanto, que o couto teria sido fundado por Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, à semelhança de outros institutos próximos.


Embora as referências documentais disponíveis atestem a existência de um ou dois templos em Tabuado (um consagrado a Santa Maria e outro ao Salvador), cuja fundação é anterior a 1131, a verdade é que os testemunhos arquitetónicos remanescentes nesta Igreja do Salvador falam-nos de uma cronologia mais recente e que deve ser posicionada já a partir de meados do século XIII, conforme nos indica a rosácea protogótica da fachada principal e os elementos estilísticos que nos mostram um flagrante paralelismo com a estética do Mosteiro de Paço de Sousa (Penafiel), integrando-se assim na família das igrejas do designado românico nacionalizado.

O aspeto purista do interior da Igreja deriva de uma profunda intervenção de restauro realizada ao longo da década de 1960 e que, na vontade de devolver a esta Igreja uma pretensa pureza medieval, retirou-lhe significativos testemunhos artísticos e litúrgicos que lhe foram sendo acrescentados ao longo da história.
No entanto, foi durante esta profunda intervenção que se descobriu a única pintura mural nesta Igreja, na parede fundeira da abside, ainda muito bem conservada: na área central, sob um abobadamento de nervuras, surge a imagem de Cristo Salvador, entronizado numa cadeira de espaldar com dossel franjado.

Está ladeada, ao modo de Sacra Conversazione, por São João Baptista, o Precursor, e por São Tiago representado como peregrino, ostentando no chapéu uma vieira e segurando na mão esquerda o bastão de caminhante.
Tendo como fundo, um registo vermelho pontuado por flores-de-lis e rosas, estas três imagens surgem enquadradas por um abobadamento de nervuras. As zonas laterais são ocupadas por um padrão decorativo formado a partir de vários eixos verticais constituído por um padrão decorativo de caráter geométrico, uma espécie de grinalda de losangos.
Realizada nos inícios do século XVI, a pintura mural de Tabuado é um exemplar único, pois não se conhece qualquer outra obra realizada pela mesma oficina que a concebeu.
Fonte: www.rotadoromanico.pt

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