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TORREIRA - MURTOSA - AVEIRO












Apontamento AuToCaRaVaNiStA:
Ver mais abaixo um apontamento relativamente ao condicionalismo nesta zona imposto aos Autocaravanistas desde à alguns anos a esta parte, junto à linha de mar (nada preocupante, e até compreensível). A Praia da Torreira é para já uma das praias com um maior extenso areal para quem gosta de usufruir de espaço na praia. Já todos sabemos que a temperatura da água do mar no Norte de Portugal é arrepiante, mas se temos uma bela areia fina branca e espaço, já nos podemos dar por satisfeitos. O aparcamento para autocaravanas pode ser feito no parque junto ás escolas, fica a uns 200 metros da praia, ou então nas traseiras da linha de mar junto ao parque infantil, aqui a sensivelmente a 100 metros da praia. Está servido por bares de praia, restaurantes, lojas, mercado, etc.

             HISTÓRIA:
     FORMAÇÃO DA RIA

A formação geológica da península à qual pertence a Torreira está ligada à formação da ria de Aveiro. Sobre a formação da ria existem diversas opiniões contraditórias.
Marques Gomes e Rocha Madahil defendem que a ria é moderna e posterior ao domínio romano. Amorim Girão afirma que o cordão arenoso em que está situada a Torreira já existia na época do domínio romano, pelo menos em parte, e Araújo e Silva vai ainda mais longe e dá vinte e cinco séculos de idade à ria. Alberto Souto julga que este cálculo não andará longe da verdade e considera poder mesmo falar-se numa ria (ainda muito incompleta) com três milénios.

Tendemos a ser mais sensíveis aos argumentos destes últimos e inclinamo-nos para alinhar com aqueles que têm apontado a «pelagia insula» da «Ora Maritima», do escritor romano Avieno, como sendo na nossa ria, provavelmente a região marinhoa, com a ressalva de ser muito menos autorizada a nossa opinião. Alberto Souto também admite poder situar-se na ria de Aveiro a «pelagia insula».

Mais pacífica é a ideia de que o cordão arenoso em que se situa a Torreira terá sido a última parte da ria a formar-se, depois da zona marinhoa e da gafanha (19; veja-se em especial, sobre a formação da ria, 19, p.109). Sendo sem dúvida de formação última a estreita peninsula, esta foi engrossando com a acção do vento, que ajudava a depositar parte do cordão dunar a nascente (19, p. 124 e 125). Rocha e Cunha (17, p. 27 – mapa – e 28) situa a barra na Torreira por volta de 1200, opinião largamente aceite e divulgada posteriormente por vários autores.

Na sua resposta ao inquérito de 1758 (1) o pároco da Murtosa afirma que a Gelfa vareira não é cultivada nem tem árvores, é uma península de areia movediça. Eduardo Costa afirma, em comentário à resposta do pároco (1), e concordamos, que a existência de gado na Gelfa implicaria pelo menos o cultivo das pastagens necessárias à alimentação do gado ali criado. A arborização da região terá sido posterior.

REFERÊNCIAS MEDIEVAIS

Vimos já que no século XIII a duna chegava à Torreira, e com ela o julgado de Cabanões (hoje Ovar), a quem ficou pertencendo todo o cordão dunar – ao qual se chamava de Gelfa – à medida que se foi formando (5, p. 63).

A referência mais antiga que se conhece à Gelfa é de 1283 (doações de D. Diniz, liv. I, 64), em que aparece o nome «Guelfa». Naquele tempo o rei aforou esta sua propriedade, vitaliciamente, a Pedro Bermutes. A Gelfa pertenceu de seguida ao mosteiro de Grijó, que ali teve muito gado (éguas, vacas, bois, porcos) o qual veio a ser dizimado pela epidemia de 1348. Os vareiros começaram entretanto a fazer logradouro comum e público da Gelfa, havendo no entanto vários senhores que foram tendo daqui direitos (5, p. 64). Notem-se particularmente os direitos aqui tidos pela Sé do Porto e pelos senhores do Castelo da Feira (mais tarde a Casa do Infantado).

No início do século XVI o foral de Ovar refere a “gelffa” mas não fala na Torreira (18).


ETIMOLOGIA: Gelfa, Torreira, Muranzel:

Quem nos dá alguns dados de interesse sobre a Gelfa é o Monsenhor Miguel de Oliveira (13, p. 76-80; e, em especial, 13, 80 e 81, em rodapé) que lhe dá o significado que ainda hoje vem nos dicionários (relva, pastos nascediços em maninhos), e outro mais ousado, a respeito do qual cita um autor francês, o qual afirma que o nome vem do árabe «djilf»: «terre où les récoltes sont précaires, champs abandonnés à la grâce de Dieu», mais de acordo com o significado que conhecemos desde menino, de desarrumação, desordem.

Sobre a Torreira, José Pedro Machado (7) fica na dúvida, sem saber o que dizer, pondo a hipótese da origem estar em «torre» ou «terra», não deixando de citar diversas localidades com o mesmo nome. O Dr. José Tavares (20, p. 201) não hesita em mergulhar na fantasia de uma «Torreira, pela ardência do chão e a tremulia dos ares», do escaldante, do torrar ao sol.
Ora, ao sufixo feminino –eira é atribuído o significado de «local onde se encontra o objecto expresso pela palavra primitiva» (14, p. 205), neste caso uma eventual torre.

A zona da Torreira foi já chamada pelos murtoseiros de Areia (20, p. 39), o que poderia até contribuir para a conjugação de duas palavras (a torre da Areia) para dar origem ao topónimo que hoje conhecemos.
Pouco provável, mas a ter em conta, é a relação do topónimo com o do Torrão do Lameiro. O primeiro documento que fala do Torrão do Lameiro é de 1607 e refere-se a marinhas de sal (1). E os estudos relativos a termos utilizados nas salinas (de resto frequentes do passado da região marinhoa de além-ria) dão-nos para «torroeira» o significado de «zona do sapal donde se extrai o torrão» e «torrão», «lama argilosa dos sapais, endurecida e cortada em cubos de 20 cm de aresta, contendo raízes de plantas que, mais tarde, se desenvolvem, enfenando o torrão», (3 e 11). Não há, todavia, qualquer referência a antigas marinhas de sal nas proximidades da Torreira.

 Sobre o Muranzel parecem haver pistas importantes no alvará régio de 20-3-1584 (9), do qual nos falam Lopes Pereira (6) e o Pe. Vieira de Rezende, em primeira mão, na sua «Monografia da Gafanha». Este alvará refere-se a uma torre onde em tempos já então antigos os barcos que entravam e saíam da ria pagavam os respectivos impostos. Interessa o facto de em fevereiro de 1978, «por ocasião de inusitada escalada do mar, terem sido postos a descoberto, pelo assalto das ondas enfurecidas, restos de uma estrutura cilíndrica em alvenaria, de apreciável diâmetro [...] o interior não era mais que um emaranhado da pedra utilizada na construção, enquanto que o exterior se apresentava [...] rebocado e exibindo dois patamares salientes (e é de crer que outros existissem na parte que o tempo consumiu) obliquamente sobrepostos, porventura destinados a servir de qualquer traço de escada» (9). Lopes Pereira (6, p. 25 e 26, em nota de rodapé) indica a Torreira como possível localização da tal torre (forte ou torre sinaleira), talvez por alturas do Muranzel, por volta de 1200. E desta torre nasceria então a junção de muro e aranzel (grosso modo aranzel significa regulamento) em Muranzel (9), embora também se suponha que a origem possa estar em Almundazel (19, p.111).



PESCA E TURISMO
(actividades económicas)

Ao que parece, a instalação duma povoação na Torreira e não em qualquer outro lugar da Gelfa deu-se por o mar ficar mais próximo da ria para quem a atravessava vindo da terra marinhoa (20, p.201). A povoação teria sido feita em simultâneo por vareiros e marinhões e não seriam tanto os pescadores do Furadouro que foram para a Torreira e ali ensinaram os marinhões a arte da pesca no mar. Com o tempo a Torreira transformou-se no mais afamado e activo centro de pesca de arrasto da Beira Litoral, particularmente da sardinha (5, p.71), e na pesca estava a base da economia local. Por 1899 a Torreira era ainda um grande centro de pesca e praia de banhos. Egas Moniz (1874-1955) conta na sua auto-biografia («A Nossa Casa») também por lá ter passado para banhos com a família na sua meninice. Marques Gomes diz-nos que «não vai além do último quartel do século XVII, a existência da Torreira como praia balnear, e, estação de pesca marítima. As habitações dos pescadores, os palheiros, eram todas junto à margem da ria, e era neles que se albergavam as pouquíssimas pessoas que então para ali iam a banhos» (10, p. XIX). Referindo-se ao século XIX outro autor diz que «a praia da Torreira teve foro de elegante e a frequência da melhor sociedade do centro do país, da Bairrada a Viseu, até aos limites do concelho da Feira» (20, p.142).

A actividade piscatória foi-se organizando em companhas (companhias), cujo número variou ao longo do tempo. Em 1835 seriam 7 (20, p. 45) e em 1852 atinge-se as 9 (8), o máximo de que temos notícia. Em 1874 e 1885 as companhas são 6 (20, p. 239 e 240; 20, p. 242). Regista-se em 1895 um total de 5 companhas (20, p. 299) e, pouco depois, em 1899, 6 companhas (10). Quase todos os elementos destas companhas eram da Murtosa e dedicavam-se à pesca na costa da Torreira nos meses de Maio/Junho a Novembro de cada ano (1 e 16), ficando a localidade praticamente deserta durante o resto do ano, entregue apenas aos cuidados do ermitão que tomava conta da capela de S. Paio. O puxar das redes de arrasto para terra foi primeiro feito por mão humana e depois por gado bovino (20).

Em 1836 sabemos funcionar já um sistema de «segurança social» entre os pescadores (20, p. 55 e ss.), o qual implicava, entre outras coisas, que os pescadores doentes continuassem a receber o seu salário, e da mesma forma as suas viúvas. É interessante notar como o sistema acabou mesmo por ser oficializado (decreto dado a 5-11-1852 e publicado no Diário do Governo de 20-11-1852) antes que qualquer país do mundo estabelecesse o seu próprio sistema de segurança social estatal. Marques Gomes também se refere ao mesmo assunto (10).

As únicas construções que existiam na Torreira do século XIX eram rudimentares palheiros de madeira, frágeis e expostos ao fogo e a outras intempéries, dispostos em duas faixas ao comprido, uma no mar outra na ria, sendo o aglomerado da ria o mais desenvolvido (20, p. 217 e ss.). Por volta de 1885 as habitações do lado da ria eram utilizadas para depósito de sardinha e as da beira mar para o alojamento de pescadores durante a safra e banhistas na quadra de banhos.


Uma questão curiosa é a de ter existido na Torreira um pequeno caminho de ferro, entre o mar e a ria, para o transporte de peixe, inaugurado em 1877 e que terá durado uma meia dúzia de anos. Empregaram-se meios diversos para movimentar os carros (20, p. 199): foram puxados por cavalos, muares, a contrapeso de água, vapor, electricidade e até vela ao vento. Em 1873 esteve em projecto um caminho de ferro que ligava a estação de Estarreja à Bestida e houve ainda outros projectos para a Torreira em 1874, embora nenhum deles tenha saído do papel (20, p.185 e ss.; e pequena ref. em 16).



    S. PAIO DA TORREIRA:
Por alturas de 1758 existia no «sítio da Torreira», em areal, entre o mar e a ria, a capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso, com os santos de S. Lázaro e S. Paio nos altares laterais. O S. Paio da Torreira era já muito procurado por ser bom advogado contra os males de saúde. A festa e romagem à Nossa Senhora do Bom Sucesso era feita a 27 de Julho e o arraial atraía muita gente, bem como numerosos barcos luzidos e vistosos. Pouco menor que as outras festas então existentes na Gelfa era a de S. Lázaro e S. Paio, conjuntamente a 7 e 8 de Setembro (1).

Marques Gomes afirma em 1899 (10, p. XXIV) que a festa «atrai à Torreira milhares e milhares de romeiros» e é «a festa mais popular e concorrida do distrito». O momento alto das festividades consistia no dar banho ao santo em vinho tinto, na véspera e no dia da festa, para beber-se de seguida o vinho, o que se acreditava afastar as doenças. A capela de S. Paio por várias vezes foi enterrada pelas areias e reedificada.
No tempo dos banhos, no século XIX, costumava haver música na praia aos domingos e nos dias santificados (16).



       ACESSIBILIDADES:

A passagem da Murtosa para a Torreira fez-se no século XIX a partir do Portigão (Murtosa) e, especial e mais duradoiramente, da Bestida (Bunheiro), por meio de barcas. As primeiras lanchas a motor surgiram no final da monarquia (20, p.201). Em último lugar, a ponte da Varela só veio a ser inaugurada em 1964.

Fonte: Junta de Freguesia da Torreira




           Apontamento AuToCaRaVaNiStA:

SOBRE ESTACIONAMENTO NA TORREIRA
Infelizmente, este tipo de sinalização vertical a proibir o estacionamento de AC's junto ás praias, é cada vez mais uma prática corrente das autarquias. Felizmente, como documentam as imagens, ainda facilitam o aparcamento nas zonas circundantes. Srs Autarcas, os Autocaravanistas são consumidores do Comércio Tradicional, e fazem as suas compras nos locais por onde passam em visita. Se são amigos do vosso Comércio Tradicional, e os querem ajudar, ajudem quem os ajuda, que eles vos agradecerão. Srs Autarcas... Querem promover o turismo da vossa Região? - Então nada melhor que os autocaravanistas, para divulgarem tudo o que há de bom nas vossas regiões. Srs, Autarcas e Srs Governantes, ajudem os Autocaravanistas, a ajudá-los a fazerem jus aos milhões gastos em publicidade, com frases como: - Vá para fora cá dentro - Milhões de Estrangeiros já descobriram Portugal, Agora chegou a vez dos Portugueses - Os Autocaravanistas são na sua maioria conscienciosos, e respeitam a Natureza, (haverá como em todos os grupos de pessoas aqueles que não sabem estar em sociedade. Mas...onde os não há?).
                      O AUTOCARAVANISMO VALORIZA AS REGIÕES E O TURISMO. 
Opção de estacionamento para autocaravanas na zona de praia da Torreira

Esta zona da Torreira, onde ainda se pode estacionar relativamente perto da praia tem estas dunas (visiveis na foto) como divisão, para além destas dunas, ainda existe um parque de estacionamento frente ao mar (O tal da placa da foto) e a estrada de acesso, o que dará uma distancia de (+-) 200 metros do parque da foto, até á praia. Não se tem vista para o mar, exactamente por causa destas mesmas dunas que tapam por completo a vista. Existe ainda um segundo parque de estacionamento, mais a norte, não há proibição a ACs, é bastante grande no inverno, e pequeno no verão, e fica situado igualmente atráz das dunas. Não tem visibilidade para o mar.

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